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  • Vermes Parasitas no Aquário

    Muitas vezes eu ouvi comentários ou eu mesma tinha essa idéia em mente de que uma das doenças prováveis que causavam o fechamento de uma das brânquias em acará disco seria causada por fungos, o que não condiz com a verdade, já que os dois parasitas mais comuns causadores desse sintoma, o Gyrodactylus e o Dactylogyrus, são vermes parasitas, que ancoram no peixe, especialmente na região das brânquias. Talvez essa confusão se deva a uma tradução errada da palavra “flukes”, que se refere a um tipo de verme parasita encontrado no fígado de ovelhas.

    É um sintoma comum de muitas doenças causadas por organismos parasitas o peixe se “coçar”, se roçar contra objetos do aquário, com a finalidade de se livrar dos parasitas externos. Esse sintoma é comumente observado nos casos de íctio, mas ocorre também em infestações pelos vermes Gyrodactylus e Dactylogyrus. No artigo citado, o autor aborda tratamentos contra esses vermes parasitas sem considerar nenhuma espécie de peixe em especial, mas como eu até hoje só observei ataques contra acarás disco, vou me ater apenas a essa espécie.

    Dactylogyrus é um verme parasita que se reproduz de maneira ovípara (coloca ovos), e que ataca especificamente as guelras dos peixes. O parasita que eclode do ovo, na água, é ciliado, e nada a procura de um hospedeiro. Quando esse é encontrado, o verme se move até as guelras, se fixa a uma lamela, e começa a se alimentar. Leva apenas uma semana para que o parasita vire adulto e se reproduza. A causa da irritação do peixe é a fixação do parasita, que se ancora profundamente na carne do peixe, através de ganchos fixadores. Outros sintomas observados são a produção de excesso de muco na região das branquias, e o comportamento de cuspir a comida.

    Gyrodactylus é um verme parasita ovovivíparo (os ovos são incubados internamente) que ataca a epiderme dos peixes.

    Abaixo descrevo 2 dos tratamentos citados pelo autor do artigo, e depois remédios comerciais usados para combater essas doenças.

    Banho de Formalina
    É feito em um recipiente separado, cheio com água do próprio aquário de origem do peixe doente. São usadas de 5 a 10 gotas de formalina para cada 4 litros de água, e o peixe deve ser deixado nesse banho por até 30 minutos. É extremamente recomendável deixar aerando o recipiente com uma pedra porosa ligada a compressor de ar durante o tratamento. Enquanto o peixe estiver no banho de formalina, deve ser constantemente observado, e se apresentar sinais fortes de stress deve ser removido de volta para o aquário. No caso de Dactylogyrus o tratamento deve ser repetido a cada 3 dias, durante um período total de 14 dias.

    Banho de Sal de Cozinha
    Prepare uma solução de 70 gramas de sal de cozinha para cada 3 litros de água do aquário, em recipiente não metálico. O peixe deve ser pego do aquário e deixado nessa solução por 30 minutos. O peixe deve ser observado durante o banho e removido se mostrar sinais fortes de stress. Cuidado, existem espécies de peixes, como cascudos e outros, que não suportam banhos de sal.

    Como os parasitas aqui tratados têm uma fase parasita e outra aquática, é ideal, em conjunto com o tratamento, utilisar no aquário filtro de diatomáceas, ou outro meio próprio, capaz de reter ou remover do aquário a fase “larval” (trocas de água, por exemplo), para que os peixes não sejam constantemente reinfestados. Na loja aonde eu trabalho (Vidaquática) eu costumo montar 3 aquários com a mesma água, e deixar funcionando; a cada 3 dias, o que coincide aproximadamente com o ciclo de reprodução dos parasitas, eu troco os peixes de aquário, dando um banho de sal de cozinha na mudança, até “limpar” completamente os peixes dos parasitas.

    Agora falando de minha experiência, a medicação própria para peixes que eu tenho usado bastante atualmente é o CLOUT, que é um medicamento relativamente novo no mercado, e que tem se mostrado muito eficaz contra doenças comuns em acará disco, e parasitas externos de kyngyos.

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  • Dicas para fotografar dentro do aquário

    Muito pouco eu entendo de fotografia, ou do equipamento para fotografar. Estou escrevendo este tópico apenas porque muitas das pessoas que visitam minha página perguntam sobre como foram tiradas as fotos dos peixes que eu uso aqui.

    A máquina que eu usei em todas foi uma Nikon Digital: essa máquina armazena as fotos em uma memória, e depois nós descarregamos o conteúdo da memória no micro, através de um cabo USB; as fotos ficam em formato .jpg, e a resolução pode ser de 320 X 240 a 4564 X 3480. Eu não usei nenhum tipo de lente de zoom, apesar de terem me dito que essa câmera aceitaria, e a aproximação máxima que eu consegui mantendo a nitidez foi de uns 20 centímetros.

    As dicas para como proceder na hora de tirar as fotos foi pega com um fotógrafo, muito especializado em um tipo de fotografia chamada “macrofotografia”: são usadas lentes de aumento sobre o objeto que se quer fotografar, assim ele aparece bem maior e com mais detalhes. A foto ao lado foi obtida por este fotógrafo usando essa técnica.

    DICAS:

    1) Use roupa escura para minimizar o seu reflexo no vidro do aquário;

    2) Bata as fotos em ângulo com o vidro do aquário, para não haver refração;

    3) Tente iluminar o aquário bastante, para não precisar do flash;

    4) Uma excelente idéia é ter um aquário bem pequeno, com o fundo e laterais pretos, que possa ser colocado do lado de fora em um dia bem claro, e cheio com água do aquário de origem do peixe a ser fotografado. O peixe será colocado nesse aquário, sem sofrer com a mudança, e servirá de modelo por um tempo, até ser devolvido para o aquário dele. Dentre as fotos que eu tirei, a nitidez dessas fotos batidas sem flash, com a luz do dia, foram as melhores.

    Além dessas dicas, uma coisa muito importante, e que deve ser lembrada, é manter os vidros do aquário o mais limpo possível, removendo as algas que podem estar do lado de dentro, e limpando sujeiras e gorduras do lado de fora, podendo ser feito com um pano com alcool.

    Se algum dos leitores tiver mais sugestões para colocar nesse tópico, por favor, escreva que elas serão de grande utilidade.

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  • A Ecologia do Aquário Ornamental

    Um ecossistema é um sistema fechado, que se mantém por si próprio através da interação entre seus componentes.

    O aquário não funciona exatamente como um sistema ecológico fechado, pois para que ele se mantenha, é necessário introduzir comida, fazer uma limpeza periódica do fundo, eventualmente trocar água e possivelmente usar um sistema de filtragem, e até aquecer artificialmente a água. Mesmo assim, um dos o objetivos do hobbysta é conseguir atingir um equilíbrio do sistema.

    Um aquário montado, com filtro biológico sob uma camada de cascalho no fundo, algumas plantas e peixes, apresenta ciclos de decomposição e utilização de elementos químicos produzidos dentro do sistema, como o próprio oxigênio e os compostos nitrogenados, que atingem um equilíbrio em um aquário estabilizado.

    No caso dos compostos nitrogenados, a alimentação faz com que os peixes dejetem, o que introduz na água amônia (tóxica), que induz a fixação de bactérias na camada do fundo, que vão se alimentar dessa, transformando-a em nitrito, que estimulará outro tipo de bactéria a se fixar, que por sua vez transformará o nitrito em nitrato, que vai se acumulando na água, sendo utilizado em muito pequenas quantidades pelas plantas, que por sua vez são comidas por alguns peixes. Como a utilização do nitrato é muito menor que sua produção, esse vai sendo acumulado na água. Uma das funções das trocas de água no aquário é a remoção do excesso de nitrato. É fato que uma grande concentração de nitrato na água faz diminuir até parar o crescimento das plantas, e é especulado que também seja prejudicial aos peixes, em especial no aquário de água salgada, que tolera menores concentrações de nitrato.

    Para que as plantas cresçam e os peixes se desenvolvam com saúde e até venham a se reproduzir, o primeiro passo é deixar que se forme o filtro biológico, ou seja, que se fixem na camada de cascalho as bactérias do ciclo do nitrogênio, que vão rapidamente retirar os elementos mais tóxicos do aquário (amônia e nitrito) a medida que estes forem sendo produzidos pelos peixes. Para a completa estabilização do filtro biológico, que se forma com a circulação da água pelo cascalho, o tempo estimado é de aproximadamente um mês. Não é aconselhável colocar peixes no aquário antes desse período de tempo, porém, eu particularmente gosto de começar colocando um ou dois peixinhos depois de uma semana do aquário montado, para que estes estimulem a formação do filtro biológico, produzindo o elemento inicial, ou seja, a amônia. Outro conselho, é que mesmo após um mês de montado, os peixes sejam introduzidos aos poucos, dando alguns dias de folga entre a introdução, para que o filtro biológico se adapte a demanda da sua função. Não é aconselhável superpovoar nenhum aquário, pois com excesso de peixes, o equilíbrio do aquário fica mais vulnerável, sendo facilmente afetado. Por exemplo, um peixinho que morre e começa a se decompor num aquário vazio não causa maiores transtornos, já num aquário lotado pode causar a morte de todos os outros se não for rapidamente removido, pois a decomposição usa grande quantidade de oxigênio, indisponibilizando esse elemento para que os outros peixes respirem.

    No caso do oxigênio, esse se dissolve na água principalmente através de trocas com a superfície, mas também é produzido pelas plantas aquáticas através da fotossíntese. Quanto mais quente a água, menor a quantidade de oxigênio dissolvido que essa vai conter. Sem sistema de aquecimento, a água do aquário esquenta durante o dia e esfria a noite, de forma que o oxigênio dissolvido de dia é menor que o dissolvido de noite. Esse é um dos motivos para evitar colocar excesso de peixes em um aquário, e também para usar aeração e movimentar a água para estimular a troca de gases: a saida do gás carbônico e entrada de oxigênio, através de um equilíbrio dinâmico.

    Essa breve introdução demonstra porque muitos aquários dão errado, fazendo com que as pessoas percam o gosto pelo hobby tão fácil. É fácil perceber também que é fundamental um pouco de paciência na motagem de um aquário novo, para que este se estabilize antes da colocação dos habitantes. É comum ver pessoas (especialmente acompanhadas de crianças) nas lojas de peixes, comprando o KIT completo de aquário, filtros, plantas, e peixes tudo ao mesmo tempo. A conscientização de que é necessário preparar com antecedência o habitat, para depois introduzir os peixes é fundamental para o crescimento do número de hobbystas.

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  • Doenças dos Peixes Discos

    Os Acarás Disco são peixes bastante sensíveis a variação da qualidade da água, e a alimentação. Eles são originários da Bacia do Amazonas, e nos paises aonde são criados comercialmente, chegam a trocar diariamente 90 % da água do aquário por dia para satisfazer os discos e manter as condições ideais.

    Muitas pessoas criam discos em aquários sem cascalho no fundo, para facilitar a manutenção e aumentar a “higiene” no aquário. As condições da água devem ser constantemente checadas e mantidas: pH ácido (de 5,0 a 6,5) e temperatura alta (de 27° até 32°). Os níveis de nitrato também devem ser controlados, e mantidos o mais baixo possíveis.

    Duas doenças muito comuns de discos são a Capilaria, e a Hexamita. Em ambas os sintomas se iniciam com a falta de apetite do peixe, até que ele para completamente de comer. A Capilaria é um verme, e a Hexamita um parasita intestinal, se não me engano um protozoário. Do exposto acima, a primeira coisa a ser feita é checar as condições da água.

    O tratamento é feito normalmente em aquário hospital, com medicamentos comprados em lojas de peixes específicos para essas doenças. É recomendável alimentar com artêmia viva para tentar despertar o apetite dos peixes infectados, para que estes não morram por desnutrição durante o tratamento.

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  • Cuidados básicos com as Plantas Aquáticas

    Vou tratar nesse tópico dos cuidados necessários para manter as plantas aquáticas bonitas e em boas condições; não entrarei em detalhes quanto à espécie das mesmas, dando uma abordagem generalizada ao assunto.

    Apesar de as plantas, assim como os peixes, poderem sobreviver em condições bastante variadas de pH e temperatura, eu recomendo a escolha de plantas originárias de locais com condições parecidas com o aquário no qual serão plantadas. Plantas de água fria certamente vão “pegar” mais fácil e se desenvolver melhor em aquário sem aquecimento, enquanto que plantas de locais quentes preferem um aquário tropical. Para descrições de espécies de plantas e suas condições ideais, eu recomendo o livro de Gastão Botelho – “Plantas aquáticas para aquário”, da editora Nobel.

    Em um aquário aonde se pretende manter plantas, é aconselhável o uso de um cascalho de granulação média, aonde as plantas vão conseguir enraizar com facilidade penetrando no cascalho, e por outro lado não vão se soltar facilmente. Algumas pessoas dizem que as plantas aquáticas não vão muito bem em aquário com filtro biológico, mas eu desconsidero essa afirmação pois utilizo esse filtro em todos os meus aquários e as plantas se desenvolvem muito bem; a única recomendação a esse respeito é a de não ter uma camada de cascalho muito fina, pois nesse caso as plantas certamente sofrerão com o fluxo de água.

    É muito mais simples plantar o aquário logo na montagem, antes da colocação dos peixes, do que quando os peixes já estão habitando o aquário, já que estes podem ter o hábito de arrancar as plantas, ou simplesmente desplanta-lás por nadar muito perto. Cuidado, as plantas são tão sensíveis ao cloro quanto os peixes, por isso espere o cloro evaporar antes de plantar.

    Para facilitar a tarefa de plantar, não deixe o aquário completamente cheio para não vazar água ao colocar as mãos. As plantas devem ser limpas antes de plantadas, sendo removidas as folhas mortas e muito feias, o excesso de raízes (deixando apenas uns 2 centímetros), e as folhas da parte inferior do caule, especialmente nas plantas que ainda não têm raízes. Eu acho mais fácil plantar com as mãos, envolvendo com os dedos a parte que vai ser enterrada, e cavocando no cascalho com cuidado, enterrando a planta ao mesmo tempo. Não devem ser enterradas folhas junto com o caule ou raiz, pois estas apodrecerão submersas, comprometendo a planta.

    Depois de tudo pronto, as plantas devem ser deixadas no aquário sem peixes por no mínimo uma semana, para que elas comecem a enraizar. No caso do aquário já ter peixes e estar sendo plantado, a tarefa é mais difícil pelso motivos explicados acima. Em alguns casos, para não incomodar muito os peixes, é recomendável o uso de plantadores, que parecem pinças bem grandes. Para que as plantas se fixem mais rápido, pode ser usado algum produto enaizante, enterrado junto com a planta. Produtos desse tipo são encontrados nas lojas de peixes (não usar produtos de floriculturas ou lojas de jardinagem), sendo que eu uso o enraizante da marca Tetra.

    Depois que as plantas enraizam, a manutenção é simples, não sendo obrigatório o uso de nenhum fertilizante. O básico é remover as folhas mortas cuidadosamente para não machucar a planta, e cortar um pouco quando ela crescer muito. Como as plantas são muito afetadas pelos níveis altos de nitrato, chegando a cessar completamente o crescimento em níveis muito altos, as trocas de água ajudam muito no crescimento, chegando até a revigorar as plantas.

    Quanto a adubação, ela não é necessária, mas em pequenas quantidades pode ajudar as plantas, suprindo a água com micro e macroelementos em deficiência, fazendo com que as plantas cresçam mais, e fiquem mais bonitas. Eu uso o FloraPride da Tetra, mas qualquer adubo específico para plantas aquáticas pode ser usado. Minha única recomendação é de usar uma dose 4 vezes menor do que a recomendada nas instruções, e usar raramente. Isso porque a melhor dosagem pode ser diferente em cada caso, de forma que usando pequenas quantidades, fica mais fácil controlar se for necessário usar um pouco mais de fertilizante.

    Caramujos comedores de algas, como este do gênero Physa, podem ser de grande ajuda para a limpeza das folhas das plantas, e não são de forma alguma prejudiciais aos peixes do aquário. Por outro lado, existem caramujos que são comedores de plantas, e não apenas das algas, e estes sim devem ser elimidados do aquário.

    Misturar plantas naturais com plantas artificias pode dar um efeito bastante bonito, e ajudar as plantas artificiais a parecerem mais naturais. Nessa foto, a planta em primeiro plano é uma planta de ambiente muito úmido, mas não aquática, a qual minha mãe chama de “gibóia”.

    Essa foto é de uma planta de folhas bem duras, que eu comprei como sendo uma Mycrophyllum sp, mas que acredito ser uma Microsorium pteropus. De acordo com a descrição que eu encontrei, é uma planta que gosta de pouco iluminação, e que prefere água temperada. Por ter folhas bem duras, os peixes que se atraem muito por ela como comida.

    Essa planta, que eu acredito que seja do gênero Echinodorus, se deu muito bem em um aquário de kyngyos que eu mantenho. Toda vez que eu troco água nesse aquário, ela dá uma crescidinha, parecendo ser uma grande beneficiada pelas trocas de água, com a consequente redução dos níveis de nitrato.

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  • Reprodução de Salamandras

    salamandra-aquática

    Eu li muito sobre salamandras, adoro anfíbios em geral, mas nunca pensei que eu conseguisse reproduzí-las em aquário. Eu comprei inicialmente duas salamandras, e com sorte consegui que elas fossem um casal: na época eu não conhecia nenhuma maneira de distiguir entre machos e fêmeas, mas reparei que algumas salamandras tinham a cauda bem fina e comprida, enquanto outras tinham a cauda achatada lateralmente e mais curta; comprei uma de cada e futuramente vim a descobrir que a cauda achatada é do macho. Eu até hoje não consegui identificar a espécie das minhas salamandras, mas acredito que elas sejam do gênero Cynops. Se alguém for conhecedor do assunto, por favor, me auxilie caso eu esteja errada. As salamandras são pretas, perto de 11 centímetros de comprimento adultas (incluindo a cauda), e com a barriga riscada de linhas vermelhas brilhantes.

    Quando eu as trouxe para casa, minha única certeza era de que elas precisariam de um aquaterrário para morar (já estava montado) e que seria dificil alimentá-las. O terrário era um aquário de 60 centímetros de comprimento, sendo a parte submersa com 18 centímetros de profundidade e muitas plantas já enraizadas (incluindo várias higrófilas), e a parte emersa um quadrado de uns 20 centímetros quadrados, com algumas gibóias plantadas (planta de ambiente muito úmido). Inicialmente eu alimentei as salamandras com tubifex vivos, e depois descobri que elas comiam também artêmias vivas, e até carne vermelha oferecida na ponta de uma pinça. Hoje sei que elas comem também ração para tartarugas (devo confessar que dá bem menos trabalho. As salamandras foram adquiridas no início de 89 e mantidas como únicos habitantes do aquário. Lá pra setembro se iniciaram os preparativos nupciais, logo quando o tempo começou a esquentar.

    Eu reparei que as salamandras começaram a andar mais tempo juntas no começo da primavera e que, diferente do inverno, elas passavam quase todo o tempo dentro d’água: essa espécie de salamandra respira também pela pele. Pro final de setembro, a fêmea (chamada Maligna) começou a ficar muito tempo agarrada com algumas folhas de higrófila: ela estava colocando os ovos gelatinosos entre as folhas, que se dobravam e grudavam nas extremidades, como que fazendo um envoltório. O bonito de tudo isso é que dava pra ver alguns ovos mais expostos, e que foi possível acompanhar todo o desenvolvimento do embrião, já que o envoltório dos ovos é uma gelatina totalmente transparente, por onde o embrião faz trocas de alimento e gases com o ambiente.

    Pelo que eu me lembro, o tempo entre a postura e o nascimento dos filhotes foi de pouco mais de 10 dias. Quando os filhotes estavam prontos para nascer, dava para vê-los prontinhos dentro dos ovos. Antes do nascimento, eu separei os pais em outro aquário, para que o terrário ficasse somente para os filhotinhos. Foram postos mais de 20 ovos nessa cria, mas poucos filhotes vingaram sobreviver.

    O comprimento ao nascer era ao redor de 0,7 cm, eles eram bem finos e dificílimos de ver dentro d’água, pois pareciam minusculas cobrinhas marrons, quase da cor do cascalho do fundo. Depois de várias tentativas, eu descobri que o melhor seria alimentá-los com alevinos de artêmia recém-eclodidos. Suas bocas eram minúsculas e a alimentação foi muito complicada no começo. A medida que eles foram ficando maiores, eu passei a dar tubifex bem pequenos, e depois ainda carne picada. Os filhotes possuem guelras externas para respiração, que somem na metamorfose, que ocorre quando os filhotes atingem perto de 2 cm de comprimento. Nesse época eles saem da água e passam um bom período (alguns meses) quase que exclusivamente na parte emersa do terrário. No caso dos adultos, durante o inverno a preferência é pela parte emersa, enquanto que no verão ficam quase exclusivamente dentro d’água.

    O casal voltou a por ovos na mesma época pelos dois anos seguintes (90 e 91) e, apesar de eu ainda tê-los aqui em casa, nunca mais voltaram a se reproduzir.

    Há anos e anos as salamandras continuam desovando entre a primavera e o verão, mas devido ao meu trabalho, tenho perdido constantemente esses momentos familiares e, pior do que isso, todas as crias da desova, que eu nem vejo se chegaram a nascer… (Agora as salamandras já estão comigo há 17 ou 18 anos (desde 1986/87) e só agora eu percebi a necessidade de priorizar a família, de forma que desde o ano passado me retirei, temporariamente, da vida comercial, e vim passar mais tempo com meus bichos; o resultado disso… todas as fotos dessa página são da minha família, e nem teve espaço pra todo mundo!

    Falando sério, a desova foi um sucesso, uns 15 ovos. Infelizmente, perdi uns 6 para os fungos, mas muitos nasceram. A desova começou em outubro, e foi até fevereiro. Eu ainda não disse, mas o pai da desova é outro, inclusive parece de outra espécie, a barriga é mais laranja, e de cor espalhada de forma mais homogênea. O pai da cria de 89 fugiu e morreu há 5 ou 6 anos, o mesmo fim que teve um fihote que eu ainda criava da mesma época. Abaixo, foto do filhote que puxou a barriga do pai, e ao lado, a mãe.

    salamandra-jovem

    Como os ovos são gelatinosos (veja foto ao lado), os fungos são um problema sério. Veja aqui uma foto com dois ovos, o da esquerda, íntegro, mas o da direita, esbranquiçado, atacado por fungos. Atualmente, eu mantenho as salamandras em aquários sem filtragem, e acredito que isso possa ter ajudado os fungos; para a primavera desse ano (espero ter a oportunidade de acompanhar mais uma desova) vou montar um aquário com filtro biológico e talvez um pequeno filtro externo com carvão ativado.

    A foto a esquerda é de um filhote recém nascido. Os recém nascidos foram alimentados com alevinos de artêmia, e também com aquelas minhoquinhas brancas, de terra; acho que se chamam enquitréias. Depois de nascidos, eu não perdi nenhum filhote; todos os problemas se concentraram nos ovos. Além do fungo, uma outra coisa estranha que acontecia era o filhote não conseguir se soltar da gelatina do ovo, e morrer preso; dois morreram assim, o terceiro, eu consegui salvar pegando o problema na hora certa, e abrindo o ovo com uma agulha para o filhote “escapar”. Ah, mais um detalhe novo: a desova desse ano ocorreu exclusivamente em plantas artificiais, e parece que isso não fez diferença, a não ser que o fungo também possa atacar mais fácil em plantas plásticas, já que as salamandras não conseguem dobrar as folhas, formando um casulo ao redor dos ovos.

    Na foto abaixo, a direita, vemos 3 embriões, em diferentes fases do desenvolvimento, ainda dentro dos ovos: o de cima, nascendo, o do meio, em estágio mais avançado do desenvolvimento, e o de baixo, ainda “desenrolando”.

    Em leituras posteriores sobre crescimento e reprodução de salamandras eu descobri que a maior parte das espécies é de regiões temperadas do globo, e necessita de um inverno bem frio, quando elas hibernam, para desencadear o processo de reprodução. Além disso, a maioria dos autores cita como temperatura máxima para mantê-las 25 ° Celsius. Existem muitas espécies de salamandras e a postura varia bastante entre elas. A parte a necessidade da sazonalidade para a reprodução, a maioria das espécies se reproduz com certa facilidade em cativeiro. Elas também variam bastante por algumas espécies serem principalmente terrestres, enquanto que outras praticamente não saem da água.

    Ao lado vemos um filhote cercado de artêmias vivas, e um caramujo acima. Como a artêmia viva vem do mar, e a salamandra é um bicho tipicamente de água doce, acredito que essa não seja, nutricionalmente, a melhor alimentação, mas, sinceramente, nunca notei problemas. Agora que os filhoes estão maiores tenho alimentado com minhocas e tubifex, os quais eles estão pegando fora da água, diretamente da ponta da minha pinça.

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  • A Reprodução das Carpas e Kinguios

    As Carpas e os Kinguios, já sabemos que são peixes de fácil criação, dóceis, não são exigentes, porém muito bonitos. Esses são peixes apropriados para fontes, tanques e caixas d’água devido seu grande crescimento.

    A reprodução é alta e nascem muito alevinos, mas tem um fator que torna demorado essa fase, a maturidade dos peixes. Esse tipo de peixes (Ciprinídeos, carpas e kinguios) não são como molinésias e espadas que atingem em 40 dias sua maturidade sexual.

    Um Kinguio ou uma Carpa começam a se reproduzir em no mínimo 4 anos de vida. Assim, ela já estará com seu porte entre médio a grande. uma coisa que as pessoas acham complicado nessa espécie é quanto a distinção do sexo. Os machos possui esporos (espinhos brancos) de forma triangular pequena na região urogenital.

    Coloque 2 fêmeas para 1 macho no tanque. Após algum tempo (em épocas de temperatura acima de 20 graus, aparecerão milhares de pontos brancos grudados na vegetação, paredes, pedras e na decoração. São os ovos, que posteriormente em 3 dias mais ou menos irão eclodir e muitos alevinos aparecerão.

    Tome cuidado nas épocas de desova com os filtros muito potentes, com as trocas parciais ou com águas correntes fortes pois os ovos podem ser levados ou podem ser perdidos facilmente. Se você não sabe a época certa em que os peixes irão desovar, fique atento e assim que você perceber que houve a desova, tome as atitudes corretas.

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  • Cuidados Básicos com o Peixe Betta

    Nome científico: Betta splendens

    O Betta, também conhecido como Peixe de Briga ou Siamês de Briga é originário da Ásia, de lagos de água parada e com muita matéria em suspensão, de forma que a quantidade de oxigênio disponível dentro da água é insuficiente para esses peixes, que desenvolveram um orgão que permite que eles utilizem o oxigênio da atmosfera.

    A alimentação básica do Betta, na natureza, é composta de elementos que caem na superfície da água, basicamente insetos e larvas de insetos. Essa espécies de peixe é bastante territorial, daí o fato de serem mantidos em pequenos aquários, isoldados de outros Bettas, para que não lutem até a morte.

    O aquário para esse peixe deve ter o nível de água relativamente baixo, no máximo uns 20 centímetros, pois devido as qualidades respiratórias especiais do Betta, esse peixe não sobrevive muito tempo em aquários profundos. Existem muitos alimentos ndustrializados para o Betta, mas o mais amplamente aceito por esses peixes são “Bloodworms” (vermes de sangue) secos. Para animar o Betta mantido em cativeiro deve ser colocado, vez ou outra, um espelho encostado no aquário, para que o peixe se veja, pense que é um outro Betta que veio atacar seu território, e se ourice na defesa do mesmo.

    É recomendável também, a cada 30 ou 40 dias, alimentar o Betta com artêmias vivas (encontradas nas lojas especializadas em peixes ornamentais), para simular a alimentação do peixe na natureza, e suprir alguns elementos que faltam na dieta seca.

    Na reprodução, o macho faz um ninho de bolhas, com saliva, na superfície da água, e quando este está pronto ele procura pela fêmea, que se junta a ele debaixo do ninho para colocar os ovos. Os dois peixes se enlaçam várias vezes, e em cada enlace vários ovos são expelidos e fertilizados, os quais começam a afundar, e são pegos pela fêmea e pelo macho, e colocados no ninho, aonde flutuam até eclodirem.

    O macho pode ser bastante violento com a fêmea antes e depois da postura, e os peixes devem ser assistidos de perto para que ele não mate a fêmea, que deve ser separada em outro aquário logo depois da postura. O macho toma conta dos ovos, que eclodem entre 48 e 72 horas, e ele deve ser separado dos alevinos 4 dias após a eclosão, pois então os filhotes passam a ser apreciados como um petisco.

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  • Dicas para Combater doenças, e Más Condições da Água

    Normalmente as doenças de peixes estão associadas com a baixa da qualidade da água, ou pela ocorrência de algum fator estressante no aquário. O acúmulo de matéria orgânica (animal e vegetal) no fundo do aquário, e também os restos de comida, são na maioria dos casos os responsáveis pelo aparecimento de mal cheiro e doenças. A super alimentação dos peixes é um problema sério nos aquários: dê para os peixes comerem apenas o suficiente; nunca alimente em excesso, pois o excesso vai para o fundo se decompor, e “estragar” a água. A alimentação em excesso é, a longo prazo, muito mais prejudicial que a falta de alimentação.

    É importante fazer com frequência uma manutenção preventiva para manter a água em boas condições. Faz parte dessa manutenção a troca de água com limpeza do fundo (usando sifão) e a limpeza dos filtros.

    Mas o que fazer na ocorrência de algum problema?

    1) Não alimente os peixes até diagnosticar o problema;

    2) Com cuidado para não estressar mais ainda os peixes, limpe o aquário, retirando folhas mortas e fazendo uma pequena troca parcial de água, entre 10 a 20 % do volume de água do aquário, ou 50 % no caso dos peixes parecerem invenenados;

    3) Aumente a aeração na água;

    4) Se não tiver no aquário nenhum peixe muito sensível a sal grosso (cascudos e limpa-vidros), dissolva um pouco de sal grosso, e adicione à água. No caso de coridoras, que também são sensíveis ao sal, é possível mesmo assim colocar um pouco de sal grosso dissolvido;

    5) Se algum peixe está com sinais de doença, tente diagnosticar. Se for íctio, trate no próprio aquário aumentando a temperatura aos poucos (0,5° por hora) até 31°. Não aumente mais de 5° por dia. Aumente a oxigenação da água, pois com o aumento da temperatura, a quantidade de oxigênio na água vai diminuir. Se os sintomas forem de outra doença e for necessário o uso de antibióticos, faça o tratamento em aquário hospital, especialmente se houverem plantas no aquário. Evite ao máximo o uso de remédios; só os use se não houver outro jeito, e após ter certeza daquilo que está sendo tratado! Pela minha experiência, eu recomendo para uso no aquário principal somente sal grosso, e os Bactericida e Fungicida, e o Parasiticida, da Atlantis. De todos os medicamentos que eu testei nos meus aquários, esses foram os únicos que se mostraram, ao mesmo tempo, efetivos contra as doenças e indiferentes para as plantas e a biologia do aquário. O Parasiticida serve para combater o íctio, e o Bactericida e Fungicida, contra fungos e outras doenças;

    6) Para remover mal cheiro do aquário, use carvão ativado novo dentro do filtro, ou em uma meia de seda em local de boa circulação de água. Cuidado, o carvão ativado remove impurezas da água, incluindo os medicamentos;

    7) Mantenha uma rotina de pequenas trocas d´água no aquário, até resolver completamente o problema.

    Quanto a fatores estressantes, posso citar uma mudança brusca de pH, ou de temperatura. No caso de uma troca de água, é importante checar o pH da torneira e do aquário, e checar se não é necessário tratar a água da torneira para essa ser mais compatível com a do aquário. É sintoma de choque de pH, após uma troca d´água, os peixes irem para a superfície e ficarem boqueando ar. Nesse caso, aumente a aeração, e tente corrigir o pH bem lentamente. O choque de temperatura pode ocorrer por quebra do aquecedor, por exemplo. Nesse caso, é necessário subir a temperatura aos poucos, não mais de 5° no primeiro dia, e dois graus cada dia até voltar ao normal.

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  • Manutenção Básica do Aquário

    Manter o aquário é manter o equilíbrio atingido com a maturação dos filtros, o crescimento das plantas e a saude dos peixes. Faz parte da manutenção a interferência do hobbista para alimentar os peixes, retirar peixes mortos, podar plantas muito grandes, remover folhas amareladas e manter a qualidade da água limpando os filtros, sifonando o cascalho para remover detritos e fazendo trocas parciais de água.

    Os peixes devem ser alimentados de acordo com suas necessidades, mas nunca devem receber comida em excesso, já que para tentar reproduzir um ambiente natural nós temos que lembrar que na natureza uma das lutas diárias desses bichinhos é conseguir sua comida, que raras vezes é encontrada em grande quantidade, e nem sempre está disponível. A falta de comida no aquário é menos prejudicial do que o excesso, pois esse acaba caindo no fundo, e se decompondo, poluindo o aquário. Os peixes ornamentais podem passar até 10 dias sem receber comida.

    As plantas muito grandes acabam por cobrir a superfície, dificultando a penetração da luz, e assim alterando o equilíbrio do aquário ao prejudicar o desenvolvimento de plantas mais baixas e permitindo que apareçam algas marrons, que não são prejudicias por si, mas que demonstram uma alteração na qualidade do aquário. As folhas amareladas, assim como o excesso de dejetos e resto de comida, devem ser removidas para que não comecem a se decompor alterando a qualidade da água.

    Para a remoção dos dejetos, recomenda-se trocas parciais de água a medida que vai se formando uma camada de detritos no fundo. A água a ser reposta deve ser tratada e estar na mesma temperatura da do aquário, para que os peixes não sofram um choque térmico.

    A melhor técnica é usar um sifão e com ele cutucar a camada de cascalho para que a sujeira seja revolvida e sugada pelo sifão. Por último, se existirem filtros externos, esses devem ser regularmente checados para verificar se o elemento filtrante não precisa ser trocado.

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