Reprodução de Kyngyos

By • Nov 3rd, 2009 • Category: Peixes de Água Doce

Quando eu comecei com os peixes ornamentais, a mais de 15 anos atrás, lia em todo livro que a reprodução dos Kyngyos era a coisa mais fácil de se conseguir. Nesse tempo todo eu tentei várias vezes, mas só vim a ter sucesso recentemente, por pura sorte.

Meu costume, em se tratando de qualquer espécie de peixes, foi sempre de comprar os menores filhotes que eu conseguisse no mercado e vê-los crescer. A taxa de obrevivência de Kyngyos comprados assim foi sempre de mais de 90 %. Antes de comprar os peixes, eu já deixo preparado o primeiro aquário em que eles vão ficar, normalmente uns 20 litros para cada 7 ou 8 filhotes, com um bom filtro e algumas plantas. O único cuidado que eu tomo antes de colocar os peixinhos no aquário é de deixar equilibrar a temperatura do saco de transporte com a da água do aquário. Os filhotes são alimentados com comida em flocos e, vez ou outra, com artêmias ou tubifex vivos. A medida que eles vão crescendo eu vou trocando eles para aquários maiores. Ao redor de 1 ano e ½ a 2 anos, os Kyngyos já podem começar a se reproduzir. Em relação aos Kyngyos adultos, eu chego a manter até 5 em um aquário de 60 litros, com filtragem e troca de água (35 %) uma vez por semana. A alimentação é basicamente comida seca, de preferência da Tetra, mas também eventualmente tubifex, verme de sangue ou artêmias.

Seguem os dados que eu obtive em listas de discussão e livros sobre a manutenção e reprodução de Kyngyos: – dissolver um pouco de sal grosso na água; – é importante um inverno rigoroso para que os peixes comecem a se preparar para a reprodução que se inicia no final da primavera (apesar de viver em São Paulo, o inverno no ano da reprodução foi bastante gelado); – alimentar pouco os peixes no inverno, deixando até alguns dias de jejum; – a partir do início da primavera, começar a alimentar também com comida viva (tubifex, verme de sangue, larvas); – já na primavera se iniciam as “caças nupciais” que são perseguições dentro do aquário, sendo normalmente os machos que perseguem as fêmeas; – as fêmeas ficam com um dos lados do corpo mais inchado que o outro; – alguns machos desenvolvem umas protuberâncias que parecem pequenas luzinhas brancas de natal ao redor das nadadeiras peitorais (eu cheguei a tratá-los de ictio nessa fase – um grupo de peixes pequeno (uns 3) deve ser separado num tanque contendo plantas flutuantes para a reprodução.

Agora vão as condições nas quais eu consegui a reprodução: Do que está escrito ai em cima, eu tentei de tudo um pouco e usei várias das informações, como, por exemplo, alimentar com comida viva, e dissolver sal grosso na água. Mas a reprodução mesmo eu nunca consegui em aquário, como eu disse, foi pura sorte. Eu fui a uma loja e vi alguns Kyngyos novos, com cores mais mdernas, formas diferentes, etc, e não resisti em comprá-los. Como eu não tinha mais aquário para hospedar tanto peixe, escolhi 3 dos Kyngyos que eu não gostava muito e coloquei num balde de água de uns 50 litros no quintal, com algumas plantas flutuantes pra proteger do sol, uma pedra no fundo e sal grosso dissolvido.

Nada de filtro, nada de oxigenação, e larguei os peixes lá, só lembrando de alimentar uma vez por dia. Isso foi em meados de novembro. Mais ou menos um mês depois eu comprei um aquário novo para colocar os peixes do balde. Esvaziei 99 % da água do balde direto no ralo, enchi o balde de novo com água limpa, e qual não foi minha surpresa quando eu encontrei os 3 sobreviventes lá dentro!

Depois de descobrir a “fórmula” eu comecei a escolher os peixes que eu mais gostava, tentando formar casais, e ia colocando em baldes. Em menos de 1 semana apareciam os ovos grudados nas plantas flutuantes. Eu voltava os pais para o aquário e esperava os ovos eclodirem em 4 dias. Como os baldes ficam no quintal, expostos ao sol, a água fica verde, cheia de algas e outros microorganismos, e é essa a primeira comida dos filhotes. Eles chegam a passar mais de um mês só vivendo dessa água, até que se tornem “visíveis” quando eu então passo a alimentar com artêmia recém-eclodida, e finalmente com comida seca.

Leave Comment